Quando "Amnésia" estreou em 2000, muita gente se desconcertou com a história contada de trás para a frente por Christopher Nolan. Era a primeira indicação de que o diretor era diferente da maioria. Após sua obra-prima - até o momento - "O Cavaleiro das Trevas", Nolan volta novamente com um longa desses para tirar o espectador um pouco de sua zona de comforto, com o intrigante "A Origem", que chega nesta sexta-feira (6) aos cinemas brasileiros.
Há três semanas em primeiro lugar nos Estados Unidos, e há uma nas bilheterias mundiais, o filme estrelado por Leonardo DiCaprio é a boa surpresa da atual temporada de férias, geralmente marcada por estreias de produções para a criançada e blockbusters descerebrados. Logo após seu lançamento, o longa já começou a gerar especulações de que é um dos possíveis candidatos ao Oscar do próximo ano. E, aparentemente, é mesmo.
A história em si remete ao início da carreira de Nolan, agora amparado por toda a tecnologia que um grande estúdio pode pagar. Seu protagonista é Don Cobb (DiCaprio), um ladrão de sonhos atormentado pelo fantasma da mulher, Mal (a francesa Marion Cotillard). O personagem, aliás, tem o mesmo sobrenome de outro de um dos primeiros trabalhos do diretor.
Acusado de um crime nos Estados Unidos, o norte-americano ganha a vida viajando o mundo como uma espécie de espião de mentes para grandes corporações. Em um de seus trabalhos, ele conhece o magnata Saito (Ken Watanabe), que lhe faz uma proposta diferente: ao invés de roubar um sonho, implantar uma ideia na mente de um concorrente.
Como recompensa, o japonês promete o perdão na pátria amada e a chance de rever os filhos. Cobb então monta um time que inclui o amigo Arthur (Joseph Gordon-Lewitt), a novata Ariadne (Ellen Page), o químico Yusuf (Dileep Rao) e o falsário Eames (Tom Hardy). Todos terão um papel específico no audacioso plano.
Em meio a uma atmosfera 'noir', Nolan constrói seu quebra-cabeças tridimensional, com sonhos que acontecem dentro de outros sonhos. Mas sem apelar ao recurso fácil do 3D. Mesmo assim, oferece um cenário surrealista que desafia os olhos do espectador, amparado por uma trilha sonora ensurdecedora e um elenco matador.
Passados dez anos desde que começou a chamar a atenção, Nolan se firma com um diretor de estilo próprio, que não tem medo de desafiar seu público e romper com as barreiras da obviedade. "A Origem" é um bom exemplo de como aproveitar os recursos de Hollywood para fazer cinema inteligente e de qualidade.
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